"...meu pequeno coração foi gestado numa áspera charneca, gasto os invernos tentando infrutiferamente descobrir um caminho quallquer sobre a neve que transforma todos os caminhos em um único descaminho gelado e sem porto......não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida entre as páginas de um livro...meus gestos minhas palavras sao magrinhos como eu, e tão morenos que, esboçados á sombra, mal se destacam do escuro, quase imperceptível me movo, meus passos são inaudíveis feito pisasse sempre em tapetes ... caminho severa pelas calçadas, olhos baixos, para que minha sede não tranpareça : sou tão morena e tão magrinha que ninguém me adivinha assim como tenho andado...cinzelada no topo deste morro onde os ventos não cessam de uivar, tendo entre as mãos, como que segura lírios maduros do campo, uma espera tão reluzente que já é certeza."
(Caio Fernando de Abreu/Morangos Mofados)
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