"... e assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma sensação que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa, uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna, um desassossego sempre crescente e sempre igual. Tudo me interessa e nada me prende...
"...era ocasião de estar alegre. Mas pesava-me qualquer coisa, uma ânsia desconhecida, um desejo sem definição, nem até reles. Tardava-me, talvez, a sensação de estar vivo. E quando me debrucei da janela altíssima, sobre a rua para onde olhei sem vê-la, senti-me de repente um daqueles trapos úmidos de limpar coisas sujas, que se levam para a janela para secar, mas se esquecem, enrodilhados, no parapeito que macham lentamente...
Fernando Pessoa / Livro do Desassossego
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