quinta-feira

...gosto de ser homem, de ser gente, porque não está dado como certo, inequívoco, irrevogável que sou ou serei decente, que testemunharei sempre gestos puros, que sou e que serei justo, que respeitarei os outros, que não mentirei escondendo seu valor porque a inveja de sua presença no mundo me incomoda e me enraivece.
Gosto de ser homem, de ser gente, porque sei que a minha passagem pelo mundo não é predeterminada, preestabelecida, que meu “destino” não é um dado, mas algo que precisa ser feito e de cuja a responsabilidade não posso me eximir.
Gosto de ser gente porque a História em que me faço com os outros e de cuja a feitura tomo parte é um tempo de possibilidades e não de determinismos...
Gosto de ser gente, inacabado, sei que sou condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir além dele ... minha presença no mundo não é a de quem nele se adapta mas a de quem nele se insere...
Gosto de ser gente porque mesmo sabendo que as condições materiais, econômicas, sociais e políticas, culturais e ideológicas em que nos achamos geram quase sempre barreiras de difícil superação para o cumprimento de nossa tarefa histórica de mudar o mundo, sei também que os obstáculos não se eternizam...sei que as coisas podem até piorar, mas sei também que é possível intervir para melhorá-las ...(Paulo Freire)

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